O casal

Pode uma gravidez corrigir um companheiro agressivo?

Sim, deveremos estar preocupadas. Se estivermos a viver uma relação abusiva, precisamos de ajuda antes que a situação seja pior. Quando um homem bate numa mulher uma vez, há grande probabilidade de o fazer novamente. Ele pode manter-se calmo quando souber que a companheira está grávida, mas a gravidez despoleta o risco de agressão. A gravidez pode causar stress em qualquer casal e despoletar violência doméstica.

A violência doméstica  segue um determinado padrão: a tensão aumenta, a pessoa torna-se violenta, seguindo-se uma fase de lua-de-mel em que a pessoa tenta conquistar de volta a companheira ou tenta compensá-la, sendo carinhoso e gentil. O ciclo de violência começa novamente mais tarde e, geralmente, a violência aumenta cada vez mais em cada incidência. E, obviamente, a violência é perigosa, não só para a mulher, mas também para o bebé, especialmente se for atingida no abdómen. Estudos revelam que a violência entre o casal durante a gravidez implica um maior risco de aborto espontâneo, baixo peso dos naciturnos, danos fetais e morte.

Além disso, a situação não terá tendência a melhorar após o nascimento do bebé. Nessa altura, a criança torna-se mais uma vítima do ciclo de violência. As investigações revelam que a violência infantil ocorre em qualquer lugar e mais do que um terço das famílias que vivem sob violência doméstica, sofrem desse flagelo. Mesmo que a criança não seja agredida directamente, os estudos revelam que ao testemunharem a violência doméstica entre o casal, correm o risco de se tornarem violentos no futuro. Estão também sob alto risco de virem a sofrer depressões e de outros problemas psicológicos e comportamentais.

É também importante referir que a violência doméstica não se resume apenas a agressões físicas. O termo também descreve comportamentos que possam causar danos psicológicos provenientes da tentativa de manter o poder e controle através da intimidação ou coerção. Chamar nomes, humilhação, críticas constantes, tentativas de isolar a companheira dos seus amigos ou familiares, ciúme extremo, restrição da liberdade pessoal, controlo rigoroso das finanças familiares e ameaças à integridade física são tudo marcas de violência doméstica. A violência física ou sexual poderá não estar presente na relação; se uma pessoa é controlada pelo companheiro e vive com medo, então podemos considerar que é vítima de violência doméstica. A violência emocional por si só pode deixar cicatrizes profundas e debilitantes. A violência não tem de acontecer diariamente para ser classificada como violência doméstica.

Para pedidos de ajuda contactar www.apav.pt que acredita e trabalha para que em Portugal o estatuto da vítima de crime seja plenamente reconhecido, valorizado e efectivo. A sua missão é apoiar as vítimas de crime, as suas famílias e amigos, prestando-lhes serviços de qualidade, gratuitos e confidenciais, contribuindo para o aperfeiçoamento das políticas públicas, sociais e privadas centradas no estatuto da vítima.

Equipa BabyCenter

publicado por babyblues às 00:01 | link do post | partilhar