Problemas de infertilidade secundária

Os problemas de fertilidade podem causar depressão?

Sim, os problemas de fertilidade podem conduzir a depressão. As expectativas que temos sobre o nosso futuro muitas vezes caem por terra, porque sempre idealizámos ter uma família. A perda desta família idealizada com o nosso companheiro pode repetir-se mês a mês, quando o período menstrual aparece. Sentimos que o nosso próprio corpo nos está a trair e a decepcionar.

A maioria das mulheres crescem, acreditando que é fácil engravidar. Para muitas mulheres, especialmente as mais novas, não conseguir engravidar, pode tornar-se no primeiro grande desapontamento das suas vidas adultas.

Depois de nos apercebermos que a natureza não está a cooperar com os nossos planos de vida, devemos ser mais pró-activas, utilizando testes de ovulação, medição da temperatura corporal basal e saber quando temos o período fértil. Se mesmo assim estas medidas falharem, podemo-nos sentir ainda mais frustradas.

Uma expectativa atrás de outra começa a cair, e sentimentos de perda e depressão surgem. E, para piorar, se amigos e familiares também começam a ter filhos e a constituir família, começamos a sentirmo-nos mal com a nossa dificuldade em engravidar.

Para algumas mulheres, sentimentos de depressão podem durar dias, sempre que mês após mês aparece o período. Para outras, os sentimentos permanecem, semana a semana. Quando a depressão afecta a maneira de ser e de viver da pessoa, devemos procurar ajuda profissional.

Equipa BabyCenter


Como enfrentar um problema de infertilidade secundária?

Estudos mostram que as mulheres que têm dificuldade em conceber um segundo filho ficam tão ou mais ansiosas e deprimidas que as mulheres que estão a tentar engravidar pela primeira vez. Enquanto que as que tentam pela primeira vez podem evitar o mundo infantil, as que tentam para um segundo filho têm de enfrentar diariamente o mundo infantil: lojas, parques infantis e outros locais cheios de bebés, crianças e grávidas. Podemos sentir um sentimento de urgência, porque o nosso filho vai ficando cada vez mais velho, distanciando-se assim pela idade, de um mais novo que nunca mais chega. Além disso, o nosso filho começa a pedir um irmão. A sociedade acha que uma mulher que não consegue engravidar de um segundo filho, necessita de menos apoio do que aquela que tenta para um primeiro, porque já tem um, o que está errado porque os sentimentos são os mesmos.

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Como enfrentar festas de grávidas, baptizados e aniversários de bebés?

Não somos obrigadas a ir. Simplesmente não vamos. Este tipo de festas são muito dolorosas e relembram aquilo pelo que estamos a lutar e não conseguimos. Vamo-nos sentir mal e culpadas por faltar a estas festas, mas não temos de nos sentir assim, temos esse direito. Podemos enviar um presente, comprado online, que seja entregue por correio, para evitarmos entrar numa loja.

Mas se acharmos que não podemos mesmo faltar, podemos sempre chegar mais tarde e sair mais cedo. Evitar a todo o custo o momento de abertura de presentes, que é a pior parte. Tentar manter uma conversa com algum convidado sobre outro tema diferente.

É normal querermos chorar quando regressamos de um evento deste tipo e devemos chorar, porque fingir  para nós próprias que não estamos tristes com o nosso problema de infertilidade é pior.

Serena Chen - Especialista de Fertilidade


Como devolver a alegria à vida de casal quando estamos a tentar engravidar há tanto tempo?

Esta pergunta é difícil, porque a maioria dos casais com problemas de fertilidade começam a associar o sexo como um esforço para engravidar. Cada ovulação significa "sexo em agenda". Durante o resto do mês, sexo deixa de ser importante, porque a ovulação já passou, não havendo lugar para a espontaneidade.

Se estiver a acontecer connosco, devemos parar e fazer férias das tentativas para engravidar durante alguns meses. Parece mais fácil dizer do que fazer, especialmente quando estamos a correr contra o tempo  e a nossa idade. Mas é extremamente importante fazê-lo para que o casal recupere a intimidade e a cumplicidade. Também podemos reservar o quarto apenas para "sexo por prazer" e o "sexo para fazer bebés" ser feito noutra divisão da casa, por exemplo.

Temos de ser pacientes como casal e não esquecer que a paixão é flexível: parece que se desvanece, mas eventualmente regressa.

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Tenho dificuldade em relacionar-me com os meus amigos que têm bebés. O que fazer?

Este é um dos aspectos mais desafiantes quando se tem um problema de fertilidade. Quando a vida dos nossos amigos e familiares gira em torno das suas famílias,  é normal sentirmo-nos desintegradas. Enquanto que para eles ter filhos é motivo de alegria, para nós é doloroso. Não só porque estamos a lidar com a nossa infertilidade, mas também porque toda a atenção deles vai para os filhos, deixando-nos fora desse círculo. O que devemos fazer, depende do tipo de amigos e familiares que nos rodeiam: se são excelentes ouvintes e se estamos confortáveis em partilhar a nossa dor com eles. Falar sobre infertilidade pode ser um grande alívio. Mas se acharmos que eles não vão compreender pelo que estamos a passar, podemos reservar um pouco de distância temporariamente. E se nos perguntarem sobre se vamos ter filhos, simplesmente respondemos "Estamos a trabalhar nisso" ou "Serão os primeiros a saber da novidade". Devemos procurar por pessoas que efectivamente nos possam ajudar.

Serena Chen - Especialista de Fertilidade


O meu corpo não produz muito muco cervical. Pode ser um sinal de infertilidade?

Pode indicar um problema de fertilidade, mas não necessariamente um problema grave. Primeiro temos de descobrir se estamos a ovular. A maneira mais prática e fácil de o fazer é registar a temperatura corporal basal todas as manhãs e verificar nesses registos o aumento de temperatura que indica que a ovulação ocorreu. A temperatura deverá manter-se mais alta durante 12 a 16 dias, até aparecer o período menstrual. Se descobrirmos que não estamos a ovular, devemos consultar um especialista em fertilidade.

Manter um peso saudável pode aumentar as hipóteses de engravidar. Se formos muito magras, por exemplo, podemos não ter estrogénio suficiente para ovular. A ovulação exige um mínimo de pelo menos 18% de gordura corporal. A obesidade pode produzir demasiado estrogénio, o que pode impedir a ovulação, interrompendo o sistema hormonal de feedback que diz aos folículos do óvulo para amadurecerem.

A falta de muco cervical pode dever-se à nossa idade. Uma mulher que tinha 5 dias de muco cervical com aspecto de clara de ovo aos vinte e pouco anos, pode verificar que aos 30 tem apenas 2 dias. E aos 40 pode não haver ovulação, mesmo sendo regularmente menstruada e com 1 dia ou menos de muco cervical.

Manter relações sexuais por marcação pode-se tornar bastante stressante e, por si só, provocar secura vaginal. Se o problema é ausência de fluido estimulante e não de muco cervical qualquer lubrificante resolverá o problema. Mas atenção que alguns lubrificantes podem matar os espermatezóides.

As mulheres que tomam medicamentos para estimular a ovulação também podem ter efeitos secundários, provocando secura do muco cervical, necessário para transportar os espermatezóides através do colo do útero.

A inseminação intrauterina (IUI), também chamada de inseminação artificial, ultrapassa este problema, visto que os espermatezóides são colocados directamente no útero

Porém, independentemente da causa que esteja a provocar a secura do muco cervical, devemos sempre beber muita água, evitar anti-histamínicos ou outros medicamentos que possam secar as membranas mucosas, para que o nosso corpo tenha mais capacidade de produzir um muco cervical saudável.

Toni Weschler - Formador de Fertilidade


Quais são as maiores armadilhas quando um casal enfrenta problemas de fertilidade?

A armadilha mais comum é que pensamos que o nosso companheiro sente as mesmas coisas que nós e em simultâneo. Isso raramente acontece. Na maioria das vezes, as mulheres estão sempre mais à frente: foi ela que quis começar as tentativas para engravidar, a primeira a reconhecer que provavelmente haveria um problema, a primeira a aceitar começar um tratamento de infertilidade e a primeira a discutir o tema da adopção. O oposto também acontece, mas muito raramente.

A melhor maneira de evitar problemas que surjam das diferentes reacções, sentimentos e ideias sobre a infertilidade não é exigir ao nosso companheiro que se sinta da mesma maneira que nós. Devemos dar espaço para que cada um individualmente fale do que sinta. O que achamos ser melhor para nós, nem sempre é o melhor para os outros. Geralmente, as mulheres exteriorizam mais o sofrimento sobre a infertilidade do que os homens.

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publicado por babyblues às 00:01 | link do post | partilhar