Sexo

Óvulos, fertilidade e idade: como tudo funciona?

A fertilidade diminui à medida que a idade avança, mas esse declínio não está directamente relacionado com o envelhecimento do nosso corpo em geral, mas sim com a qualidade e idade dos óvulos. Por isso, é que muitas mulheres conseguem engravidar aos 50 e 60 anos com óvulos doados de alguém mais jovem.

As meninas nascem já com óvulos ou pré-óvulos no interior dos seus ovários, isso significa que os óvulos de uma mulher são sempre mais velhos que ela própria. Estes óvulos não são ainda óvulos e encontram-se revestidos numa espécie de casulo protector, aguardando que as hormonas da puberdade os despertem. À medida que o tempo passa, os óvulos morrem e quando as meninas atingem a puberdade apenas 300 a 500 mil permanecem. O resto é desintegrado e absorvido pelo corpo num processo natural denominado atresia.

A maioria das células do corpo contêm 2 cópias de estruturas denominadas cromossomas, que por sua vez contêm o nosso DNA, a nossa informação genética. Temos 23 pares de cromossomas diferentes, 46 em cada célula.

Relativamente às mulheres, quando os oócitos se dividem passam a ter apenas uma cópia de cada cromossoma. Após a conclusão desta divisão celular surge o óvulo. As células do espermatezóide também têm apenas uma cópia de cada cromossoma, 23 no total. Assim, quando acontece a união do espermatezóide com o óvulo, o embrião resultante desta união terá duas cópias de cada cromossoma em cada célula.

A libertação do óvulo inicia-se na puberdade. A partir daí, em todos os ciclos menstruais um dos óvulos armazenados no nosso corpo amadurece e é libertado, podendo ser fertilizado, dando origem a um bebé.

Por exemplo, durante os tratamentos de fertilidade, quando os médicos estimulam os ovários com medicamentos, o objectivo é recuperar alguns dos folículos que de outra maneira teriam morrido, conseguindo assim o amadurecimentos de vários folículos e óvulos.

Erros durante a divisão celular podem ocorrer durante a divisão do oócito. Muitas vezes, um par de cromossomas não se separa e, nesse caso o óvulo é libertado com 24 cromossomas, em vez dos 23. Se esse óvulo é fertilizado, o embrião resultante terá um cromossoma a mais, como as pessoas com Síndrome de Down, que têm uma cópia extra do cromossoma 21. A hipótese de erros durante a divisão celular aumenta à medida que uma mulher envelhece e a possibilidade de disfunção hormonal ou mutação aumenta também. É por isso que a incidência da Síndrome de Down e outros problemas aumentam com a idade. Os erros de divisão celular e genéticos em oócitos mais velhos também podem impedir que um óvulo fertilizado se desenvolva adequadamente, levando ao aborto espontâneo.

Há um outro aspecto do envelhecimento do óvulo que pode constituir um problema: com o tempo, a cobertura em redor dos óvulos - a zona pellucida - torna-se mais espessa, bloqueando o espermatezóide. A possibilidade de fertilização diminui.

Grande parte dos problemas de fertilidade resumem-se ao facto da fertilidade declinar com a idade, o que está directamente relacionado com o estado dos óvulos da mulher. Porém, o envelhecimento dos óvulos é diferente de mulher para mulher. Há mulheres com 30 anos que têm muito poucos óvulos e outras com 40 que ainda ovulam regularmente.

Se estivermos preocupadas com a quantidade e saúde dos nossos óvulos, independentemente da idade, o médico pode fazer vários testes (análises ao sangue e ecografias) que nos poderá dar uma ideia de como estarão a envelhecer e da sua fertilidade.

Artigo traduzido e adaptado do original Eggs, fertility and age: How it worksde Tamar L. Goulet, Ph.D.

 

As melhores posições sexuais para engravidar

Quais as posições sexuais mais eficazes para engravidar?

Não há evidências científicas que provem que uma determinada posição sexual é mais eficaz para se engravidar. Diz-se que as posições que permitem que o esperma fique mais próximo do colo do útero – como a posição de missionário homem por cima) – são as mais eficazes para engravidar, mas não há estudos científicos que suportem estas afirmações.

No entanto, o timing certo é um factor crucial. A maioria das mulheres só está fértil durante 5 a 6 dias em cada ciclo, ou seja, o período fértil abrange os 5 dias antes da ovulação e o próprio dia da ovulação, sendo que os dias mais férteis são sempre aqueles antes da ovulação ocorrer. Para que a concepção seja mais eficaz, a relação sexual deve ocorrer um dia ou dois antes da ovulação e no próprio dia da ovulação.

 

O orgasmo aumenta as hipóteses de engravidar?

Muitas pessoas acreditam que o orgasmo feminino após a ejaculação do esperma do parceiro aumenta as hipóteses de engravidar, porém não há evidências científicas desse facto.

O orgasmo feminino não é uma componente necessária à concepção, mas é possível que as contracções uterinas do orgasmo ajudem os espermatezóides a moverem-se até às trompas de Falópio. Essas contracções acontecem involuntariamente, mesmo quando não mantemos uma relação sexual,  e geralmente na altura da ovulação.

 

Devo manter-me deitada após a relação sexual?

Mais uma vez, não há evidências científicas que comprovem que o facto de nos mantermos deitadas após a relação sexual aumente as hipóteses de engravidar. Os espermatezóides movem-se muito rapidamente através do colo do útero e chegam às trompas de Falópio em minutos. No entanto, se tivermos tempo, podemos permanecer deitadas durante 15 minutos após a relação sexual.

 

Observações: Se estivermos a tentar engravidar há um ano ou mais sem sucesso (ou há 6 meses se tivermos 35 anos ou mais), ou se temos períodos menstruais irregulares, devemos consultar um médico o mais rapidamente possível.

Artigo traduzido e adaptado do original Sexual positions for baby-making da equipa BabyCenter

 

 

Deixar de utilizar métodos contraceptivos

Se estivermos a pensar em engravidar, eis algumas questões que devemos saber relativamente aos métodos contraceptivos.

 

Métodos de barreira

Os métodos de barreira, como os preservativos masculinos, os preservativos femininos, o diafragma e a capa cervical (uma variante do diafragma) não afectam a nossa fertilidade e, se utilizamos um destes métodos e queremos começar as tentativas para engravidar, basta parar de utilizá-los. Os espermicidas utilizados com os métodos de barreira não prejudicam a gravidez. Mesmo que engravidemos acidentalmente enquanto utilizávamos um espermicida, isso não afectará o bebé.

 

Controle natural da natalidade

Para engravidar após a utilização do método de controle natural, como o método do calendário (registo da temperatura corporal basal e verificação do muco/fluido cervical), basta parar de fazer esse controle e iniciar as tentativas.

Se utilizávamos este método, então temos bastante informação disponível sobre a regularidade do ciclo menstrual, o que nos ajudará a fazer uma estimativa do nosso período fértil. E se já fazíamos o controle do muco/fluido cervical durante o nosso período fértil, teremos já experiência para identificar as suas características para prever o momento da nossa ovulação.

 

A pílula, o adesivo e o anel vaginal

Para reverter os efeitos da pílula, do adesivo e do anel vaginal basta parar de utilizá-los. Nem teremos de esperar pelo fim do ciclo mensal. De qualquer modo, irá aparecer o período menstrual pouco tempo depois de pararmos de utilizar estes métodos contraceptivos.

Para muitas mulheres, a fertilidade regressa imediatamente a seguir ao abandono destes métodos contraceptivos, mas algumas demoram um mês até ovularem novamente. Saberemos que a ovulação normalizou quando o período menstrual aparecer regularmente.

Alguns médicos recomendam a utilização de métodos contraceptivos de barreira e esperar até ter alguns períodos menstruais antes de tentarmos engravidar, assim poderemos saber com mais precisão a data do parto. Porém, é totalmente seguro começar a tentar engravidar imediatamente a seguir ao abandono destes métodos e se engravidarmos antes dos nossos períodos menstruais terem regularizado, a data do parto poderá ser calculada através das ecografias.

 

A minipílula

A minipílula ou a pílula sem estrogénios contém uma pequena dose de progesterona sintética que é rapidamente eliminada do nosso corpo. A eficácia contraceptiva não dura muito mais que 24 horas após a toma da última pílula. É importante tomar a pílula à mesma hora diariamente.

A fertilidade regressa no dia seguinte após deixarmos de tomar esta pílula.

 

A injecção

A contraceção progestativa injetável disponível no mercado em Portugal é constituída por um progestativo (o acetato de medroxiprogesterona) na dose de 150 mg intramuscular de 12 em 12 semanas. A nossa fertilidade regressará 13 semanas após a última injecção ou pode demorar um ano ou mais até começarmos a ovular novamente. Cinquenta por cento das mulheres que deixam de utilizar este método contraceptivo, conseguem engravidar num prazo de 6 a 7 meses e noventa por cento num prazo de dois anos.

Se ainda não tivermos tido o período um ano após a última injecção, deveremos consultar um médico.

Os especialistas não sabem porque é que demora tanto tempo para que algumas mulheres sejam novamente férteis depois de deixarem de tomar as injecções, mas não está relacionado com o tempo de utilização deste método contraceptivo, visto que não afecta a nossa fertilidade a longo prazo.

 

O implante

O implante hormonal de progestagénio é colocado de forma simples e rápida através de uma pequena inserção no braço da mulher, com anestesia local, por parte de um médico experiente. A partir deste momento, o progestagénio é libertado de forma constante pelo bastonete.

A sua eficácia contraceptiva acaba quando é removido.

 

DIU/SIU

Impede que os espermatezóides fecundem o óvulo. Também dificulta a implantação no útero caso tenha ocorrido a fecundação. Deve ser colocado e removido unicamente por profissionais de saúde especializados, de preferência durante o período menstrual. Depois de ser removido podem-se iniciar as tentativas para engravidar. Geralmente, a fertilidade será a mesma antes da colocação do DIU.

 

Esterilização masculina ou feminina

As técnicas de esterilização cirúrgica como a laqueação das trompas e a vasectomia são considerados métodos permanentes de controlo da natalidade e são opções de pessoas que não querem engravidar ou não querem ser pais/mães no futuro. Mas muitas pessoas mudam de ideias.

Para reverter uma esterilização é um procedimento dispendioso e complicado, sem garantia de sucesso.

As hipóteses de engravidar após reverter uma laqueação das trompas são de 31% a 88%, dependendo de como a cirurgia é realizada e há um risco acrescido de uma gravidez ectópica. Se a esterilização danificou muito as trompas de Falópio, reverte-la poderá não ser possível.

É considerada uma grande cirurgia e exige internamento hospitalar. Uma alternativa para as mulheres que efectuaram uma laqueação das trompas é utilizar a tecnologia reprodutiva, como a fertilização in vitro.

A vasectomia, a esterilização masculina, é também muito difícil de reverter. Aproximadamente 30% a 75% dos homens que o fizeram conseguiram ter filhos. Muitos factores estão envolvidos, quanto mais tempo tiver passado da data da vasectomia, mais difícil será revertê-la.

Reverter uma vasectomia é um procedimento complicado e o homem terá de permanecer aproximadamente uma semana ou um mês sem actividade física. Se a tentativa de reverter falhar, pode retirar esperma e tentar uma fertilização in vitro.

 

Artigo traduzido e adaptado do original What you need to know about giving up birth control da equipa BabyCenter

 

 

Quando ter relações sexuais para engravidar?

O timing é tudo. Os espermatezóides podem viver 2 a 3 dias, mas o óvulo apenas 12 a 24 horas. Para aumentar as hipóteses de engravidar, é importante manter relações sexuais mais do que uma vez na altura da ovulação: um ou dois dias antes da ovulação e no dia da ovulação. Assim, haverá mais probabilidade dos espermatezóides serem mais saudáveis.

Saber exactamente quando é a ovulação de uma mulher é bastante difícil. Tudo depende da extensão do ciclo menstrual. Geralmente, uma mulher ovula 14 dias antes do próximo período e não a meio do ciclo. Se tivermos um ciclo de 28 dias, que é o ciclo padrão, então a ovulação irá ocorrer a meio do ciclo. Mas se tivermos um ciclo de 35 dias, iremos ovular ao 21.º dia e não a meio do ciclo.

Para determinar o momento em que estaremos mais férteis, basta utilizar a calculadora de ovulação.

 

Como saber o momento da minha ovulação?

Algumas mulheres sabem e outras não sentem nenhumas alterações no corpo, mas se estivermos a pensar em engravidar devemos começar a registar os dias em que nos aparece o período durante alguns meses. Alguns sinais da ovulação são:

#sensibilidade mamária;

#desconforto no abdómen;

#aumento da secrecção vaginal, o muco cervical altera as suas características para uma textura mais líquida;

#aumento da temperatura corporal basal.

 

Se mesmo assim tivermos dificuldades em verificar a data exacta da ovulação, podemos fazer um teste de ovulação, disponível nas farmácias.

 

Se os meus períodos menstruais são irregulares, será mais difícil para mim engravidar?

A maioria das mulheres têm 12 períodos menstruais por ano, mas algumas têm menos ou nenhum. Stress, exercício físico intenso, perda ou aumento de peso extremos, tudo isso pode interromper o período menstrual. Quanto mais irregulares forem os períodos, mais difícil será prever a ovulação. Podemos registar os dias em que temos o período, para assim podermos calcular a nossa ovulação no mês seguinte.

Digamos que os nossos ciclos menstruais são de 28 dias num mês, de 21 dias no mês seguinte e de 32 dias no mês a seguir. Devemos registar os ciclos menstruais durante alguns meses. Basta subtrair 17 dias ao ciclo menstrual mais curto e subtrair 11 dias ao ciclo menstrual mais longo. Os dias que ficam entre os dois ciclos serão os mais férteis. Se tivermos ciclos irregulares e 35 ou mais dias de diferença entre ciclos, deveremos consultar um médico para verificar se há outras causas responsáveis pela irregularidade dos ciclos, como síndroma do ovário policístico, disfunção ovárica, problemas da tiróide, perda de peso extrema ou um nível elevado de prolactina.

 

Podemos experimentar e ver o que acontece?

Sim, não somos obrigados a controlar cada passo que damos nas nossas tentativas para engravidar. Basta tentarmos manter relações sexuais pelo menos duas vezes por semana e a lei da probabilidade encarregar-se-á do resto.

Artigo traduzido e adaptado do original When to have sex if you want to get pregnant da equipa BabyCenter

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